<10 de nov. de 2013

Ideias

Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa.
Fernando Pessoa

Qual sua busca? qual seu prazer? por onde passa a sua vida?

As minhas idéias loucas e escolhas insanas sempre me deixam na duvida, porque hora mudam e porque hora eu acho que mudaram! Mas tudo no campo das idéias longe da realidade!


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<18 de jul. de 2010

Sossegue




Sossega, coração! Não desesperes!

Talvez um dia, para além dos dias,

Encontres o que queres porque o queres.

Então, livre de falsas nostalgias,

Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!

Pobre esperença a de existir somente!

Como quem passa a mão pelo cabelo

E em si mesmo se sente diferente,


Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!

O sossego não quer razão nem causa.

Quer só a noite plácida e enorme,

A grande, universal, solente pausa

Antes que tudo em tudo se transforme.

FERNANDO PESSOA

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<4 de jun. de 2010

qual é o seu?



Nunca amamos ninguém.

Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém.

É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos.

Isso é verdade em toda a escala do amor.

No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho.

No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa.

Fernando Pessoa

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<18 de abr. de 2010

escrever



Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

Fernando Pessoa

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<18 de nov. de 2008

Viver



Sem a loucura que é o homem

Mais que a besta sadia,

Cadáver adiado que procria?

Fernando Pessoa


Estou aqui enroladissima tentando aprender Sociedade Anonima

Poxa, deveria ser tão simples né? Mas é uma lei bem cheia de detalhes! E cá estou eu nesta terça fria (em pleno novembro) tentando entender!

Sinto que o dia chegará em que te dominarei, querida lei!

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<21 de out. de 2008

Linha Reta




Poema em linha reta


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado


Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos

imagem aqui

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<7 de jun. de 2008

Pela bela manha de sabado

Este é o poema que mais gosto de FERNANDO PESSOA
Foi este poema que me despertou Fernando Pessoa.
Dos heteronemos de Fernando Pessoa que mais gosto é Alberto Caieiro. Pq ele é um menino,ele rima sem compromissos e conta historias de maneira simples mas com muita vida.

Hoje pela manha achei esse video da Maria Bethania, que sabe como ninguém declamar poemas de Fernando Pessoa. Então ouvi e alimentei minha alma com o solzinho que batia na minha janela.

Espero que vcs tb se sintam alimentados

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<11 de set. de 2007

E por falar em Pessoa


Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Fernando Pessoa


O Renato citou Ferando Pessoa hoje em seu blog, lendo, não resisti e coloquei. E olha, costumo colocar dois posts seguidos de poema no blog. Mas tudo por Ferando Pessoa.
Depois de uma longa conversa, com uma super amiga, lembrei-me deste verso.
Certo e errado é tão subjetivo, né? Por isso apenas, Viva... Pq "pensar" muito, muitas vezes acaba nos desviando e não concluido.

Vaijei demais? Pode ser...
Um video do Milton, pq ontem/hoje Paola e eu domimos com este som.
Esta musica é MARAVILHOSA... é para vc querida!!!

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<22 de mar. de 2007

Estou Cansado


Álvaro de Campos
Estou Cansado

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Imagem:

http://www.christiancoigny.com/pages/womenstudio/

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