Mutipla visão
foto do arquivo do jornal "folha de sao paulo"
Foi com essa frase que Guta arrebatou Mario Sergio e os dois embarcaram juntos. Na bagagem; umas mudas de roupa e muitos sonhos a serem realizados.
Juntei-me aos companheiros, jogamos pedras, ovos e tudo mais que encontramos no meio do caminho. O dia todo na faculdade burguesa da frente
No final do dia nos reunimos e passamos a noite discutindo como agir no dia seguinte. A única coisa que comi naquele dia foi o final de um comercial de Vladimir[iv]. O entendimento era unânime: nossa revolta não era com o Mackenzie e sim contra o CCC (Comando de Caça aos Comunistas). Sabíamos que a policia estava usando a rixa das faculdades para atacar o prédio da Filosofia.
Mesmo depois de anos, ainda me lembro daquela noite como a mais longa de minha vida. Na minha cabeça era preciso mudar o mundo, os padrões precisavam ser quebrados. Era preciso reinventar o Brasil. Queríamos uma revolução global. Não bastava para mim a simples inclusão da guitarra elétrica nos festivais de Música Brasileira. Dormi menos de duas horas deitada no colo de Vladimir.
Quando o primeiro raio surgiu naquele dia 03, estávamos em compasso de espera. Mas nossa pasmaceira não impediu que a batalha prosseguisse naquele dia. E finalmente quando o prédio já estava quase todo destruído a Rua Maria Antonia ficou pequena para nós. Descemos a Consolação e fomos em direção ao centro marco da cidade.
[i] Título baseado no livro: “do sonho ao pesadelo” de Carneiro e Pontes
[ii] Homenagem a única mulher que foi trocada no seqüestro do embaixador americano pelo MR8 e depois foi levada a Cuba para o treinamento militar link http://www.terra.com.br/istoe/1863/brasil/1863_companheiras_de_armas.htm
[iii] O nome é uma singela homenagem a Ana Maria Palmera, que pertencia ao CACO (Centro Acadêmico Candido de Oliveira do Rio de Janeiro) e teve um casamento breve com Vladimir Palmeira. Ana Maria exilou-se em Cuba com o marido. Mas lá se separaram e retornou ao Brasil. Mesmo com o regime militar ainda bem forte. Para não ser reconhecida, como vários colega, usou por anos identidades falsas. Jamais estudou ou morou em São Paulo, como mencionado no texto Quer saber mais?No link
[iv] Esta foi uma outra homenagem a um grande líder estudantil; Vladimir Palmeira. Sua família é conhecida por ser de extrema direita. Participou de vários comícios e foi preso em Ibiúna/SP no clandestino congresso da UNE. Foi trocado pelo embaixador americano, pelo mais famoso seqüestro da realizado pela luta armada. Foi para o México inicialmente, depois morou três anos em Cuba e por ser contra o regime cubano se exilou no Chile. Após a morte de Allende foi expulso de vários países até finalmente ficar na Bélgica. Retornando apenas após a anistia. Ao retornar se filiou ao PT. Foi deputado e em um momento mais recente se lançou candidato a governador. Sua candidatura não agradou a cúpula petista carioca que apoiava Garotinho. Sua candidatura foi retirada. Quer saber mais? No link, ou no link ou ainda no link
[v] Mais sobre o congresso de Ibiúna: http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0285y02.htm,
Marcadores: blogsfera, coisas de mulher, ditadura


