<18 de jul. de 2008

Mutipla visão

O Renato sugeriu que cada um escrevesse algo partindo da seguinte frase:
“Preciso de você de você. Você é meu refúgio. – ”.
Demorei dias pq me considero uma péssima escritora, mas ai vai minha tentativa.
O texto abaixo que escrevi é baseado frase. Utilzei nome de pessoas que viveram na época, utilizei o nome apenas para fazer uma singela homenagem. A história é TOTALMENTE FICÇÃO!
Essas pessoas jamais viveram as situações narradas.

foto do arquivo do jornal "folha de sao paulo"


UM SONHO ou UM PESADELO[i]

_ Preciso de você. Você é meu refúgio - disse Guta[ii]
Foi com essa frase que Guta arrebatou Mario Sergio e os dois embarcaram juntos. Na bagagem; umas mudas de roupa e muitos sonhos a serem realizados.
Maria Augusta, ou simplesmente Guta, era mais que uma amiga de república, éramos companheiras na luta e nos sonhos. Cursávamos filosofia na USP , quando o campus ainda era na Rua Maria Antonia, no centro da cidade de São Paulo.
Dia 02 de outubro de 1968, foi uma data muito importante para todos nós. Era primavera em São Paulo, mas se enganou quem acreditou em flores para aquela estação, eram tempos nublados para todos nós. Esta data, ainda seria marcada para sempre na história da Universidade.
Eu havia combinado, com meu grupo, ajudar no pedágio que iríamos fazer na rua da Universidade. Estava atrasada e meus passos eram rápidos, estava quase lá, quando perdi minha concentração devido a um balburdio já nas redondezas. O susto veio mesmo quando vi que o barbudio vinha da Rua Maria Antonia. Mais que isso, a rua estava em plena guerra civil.
Com um tranco fui empurrada em direção a Maria Antonia e tudo foi tão rápido que não vi quase nada. Era um barulho ensurdecedor, pedras, sangue e confusão e quando abri os olhos novamente já estava dentro da faculdade de Filosofia. Não sei como meu pé sobreviveu.
Quando finalmente consegui olhar para traz, lá estava Guta, toda vermelha e de roupas sujas. Não estava machucada nada, mas estava aflita. No meio do tumulto ela me disse:
_ Ana Maria[iii], estávamos fazendo pedágio para a UNE, quando do prédio do Mackenzie veio um ovo. E logo a batalha começou. Eles estão nos atacando!
Guta se referia a Faculdade Mackenzie que ficava na frente da Filosofia da USP. Olhei aquele panorama geral e tudo aquilo me enfureceu, as duas Universidades tinham posições políticas radicalmente diferentes. Os makenzistas eram altamente reacionário, totalmente pró governo.
Juntei-me aos companheiros, jogamos pedras, ovos e tudo mais que encontramos no meio do caminho. O dia todo na faculdade burguesa da frente
No final do dia nos reunimos e passamos a noite discutindo como agir no dia seguinte. A única coisa que comi naquele dia foi o final de um comercial de Vladimir[iv]. O entendimento era unânime: nossa revolta não era com o Mackenzie e sim contra o CCC (Comando de Caça aos Comunistas). Sabíamos que a policia estava usando a rixa das faculdades para atacar o prédio da Filosofia.
Mesmo depois de anos, ainda me lembro daquela noite como a mais longa de minha vida. Na minha cabeça era preciso mudar o mundo, os padrões precisavam ser quebrados. Era preciso reinventar o Brasil. Queríamos uma revolução global. Não bastava para mim a simples inclusão da guitarra elétrica nos festivais de Música Brasileira. Dormi menos de duas horas deitada no colo de Vladimir.
Quando o primeiro raio surgiu naquele dia 03, estávamos em compasso de espera. Mas nossa pasmaceira não impediu que a batalha prosseguisse naquele dia. E finalmente quando o prédio já estava quase todo destruído a Rua Maria Antonia ficou pequena para nós. Descemos a Consolação e fomos em direção ao centro marco da cidade.
Não é preciso dizer que quando acabou, nos espalhamos por toda cidade. O Dops tinha a ficha de alunos de cursos subversivos como o meu. Foi preciso se esconder para não sofrer torturas. Alguns foram presos em seguida a famosa batalha, outros foram presos na Assembléia de Ibiúna[v], como Vladimir.
Foi depois daquele episódio que Guta resolveu ir para Cuba e arrastou Mario Sérgio com ela. Em Cuba se casaram. Mas anos depois, com identidade falsa, voltaram para a guerrilha. A revolução era possível.
Quase quarenta anos depois eu ainda me lembro desta mulher com saudades. Ela morreu na guerrilha e eu me escondi nas montanhas com outras identidades. Cada um militou a sua forma, mas todos por um ideal.
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[i] Título baseado no livro: “do sonho ao pesadelo” de Carneiro e Pontes
[ii] Homenagem a única mulher que foi trocada no seqüestro do embaixador americano pelo MR8 e depois foi levada a Cuba para o treinamento militar link http://www.terra.com.br/istoe/1863/brasil/1863_companheiras_de_armas.htm
[iii] O nome é uma singela homenagem a Ana Maria Palmera, que pertencia ao CACO (Centro Acadêmico Candido de Oliveira do Rio de Janeiro) e teve um casamento breve com Vladimir Palmeira. Ana Maria exilou-se em Cuba com o marido. Mas lá se separaram e retornou ao Brasil. Mesmo com o regime militar ainda bem forte. Para não ser reconhecida, como vários colega, usou por anos identidades falsas. Jamais estudou ou morou em São Paulo, como mencionado no texto Quer saber mais?No link
[iv] Esta foi uma outra homenagem a um grande líder estudantil; Vladimir Palmeira. Sua família é conhecida por ser de extrema direita. Participou de vários comícios e foi preso em Ibiúna/SP no clandestino congresso da UNE. Foi trocado pelo embaixador americano, pelo mais famoso seqüestro da realizado pela luta armada. Foi para o México inicialmente, depois morou três anos em Cuba e por ser contra o regime cubano se exilou no Chile. Após a morte de Allende foi expulso de vários países até finalmente ficar na Bélgica. Retornando apenas após a anistia. Ao retornar se filiou ao PT. Foi deputado e em um momento mais recente se lançou candidato a governador. Sua candidatura não agradou a cúpula petista carioca que apoiava Garotinho. Sua candidatura foi retirada. Quer saber mais? No link, ou no link ou ainda no link
[v] Mais sobre o congresso de Ibiúna: http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0285y02.htm,
imagem:
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<3 de out. de 2007

Phono 73

Do fundo do baú. Gravadora lança DVD com imagens inéditas do Phono 73, festival que reuniu grandes nomes da MPB
Na sua apresentação, Chico Buarque teve seu microfone desligado pelos censores
O ano era 1973. Os personagens, os grandes nomes da MPB da época. E o público presente, até então, as únicas testemunhas oculares do Phono 73, uma espécie de festival que juntou no mesmo palco Elis Regina, Vinicius de Moraes, Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Joger Ben, Nara Leão, Wanderléia, Odair José, entre outros.

As apresentações aconteceram nos dias 11, 12 e 13 de maio no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo. O clima era tenso para os artistas. O regime militar que comandava o país tentava, de todo modo, reprimir as manifestações culturais censurando letras de músicas, cortando textos de peças teatrais e intimidando os artistas.

A idéia de Andre Midami, o então presidente da gravadora Phonogram (atual Universal), era dar uma nova cara aos esvaziados festivais de música que até um ano antes, 1972, tinham ajudado a revelar grandes talentos da música brasileira. A proposta era simples: cada artista entrava no palco, cantava uma música sua de sucesso, uma desconhecida do público e ainda dividia os vocais com outro artista.

Cada artista se manifestou à sua maneira. Wanderléia e Erasmo Carlos, já naquela ocasião, preferiram relembrar os 'bons tempos' da Jovem Guarda. Nara Leão desfilou os sucessos "Diz Que Fui Por Aí" e "Quinze Anos". Jair Rodrigues também apostou nas mais conhecidas e cantou "Orgulho de um Sambista" e "Sou da Madrugada". Wilson Simonal cantou a obscura "Hino ao Senhor" e Jorge Mautner a irreverente "Rock da Barata".

Tudo isso foi registrado pela gravadora, que logo em seguida lançou o material em 3 LP's que ganharam nova versão em CD em 1997. Agora, mais de 30 anos depois da hoje histórica apresentação, a Universal coloca nas lojas uma caixa com 2 CDs (que agrupam os áudios da edição original) e um DVD com 35 minutos de imagens inéditas das apresentações.
O registro do Phono 73 foi feito pelo produtor e diretor de TV Guga Oliveira, que fora contratado pela gravadora para filmar o festival em películas de 35 mm. Mas desavenças quanto ao preço, fizeram com que as imagens não fossem lançadas. A edição que a Universal lança agora é fragmentada, alguns números são editados com fotos ou imagens dos ensaios e bastidores.

Um dos números que mais chamam atenção é a apresentação de Chico Buarque e Gilberto Gil que se juntaram para interpretar a "Cálice", um dos hinos mais ferozes contra a ditadura. Avisados pela censura de que não poderiam cantar essa música, os dois artistas resolveram cantar só a melodia. Chico provocava gritando "Cálice" (ou Cale-se). Resultado: tiveram seus microfones cortados pelos censores. A decepção fica visível no rosto de Chico, que acaba soltando um sonoro palavrão.

O DVD também registra o dueto de Gal Costa e Maria Bethânia. As duas cantaram juntas "Oração de Mãe Menininha" (Dorival Caymmi) e protagonizaram o primeiro 'selinho' público de suas carreiras. Infelizmente não há registro de imagens desse momento. Apenas uma foto registrada nos bastidores.







ENCONTROS HISTÓRICOS
Gilberto Gil e Elis; Gal Costa e Maria Bethânia

Outro momento especial é o de Elis Regina cantando a pouco conhecida "Cabaré" (João Bosco / Aldir Blanc). A cantora, que um ano antes havia cantado o Hino Nacional na Olimpíadas do Exército, foi recebida com vaias pela platéia. Elis decide encarar a platéia e faz uma apresentação perfeita.

Ainda tem Caetano Veloso e sua empolgada performance em "A Volta da Asa Branca", Toquinho e Vinícius (este com seu inseparável copo de uísque na mão) em "Meu Pai Oxalá", Raul Seixas em início de carreira e Sérgio Sampaio com seu mega sucesso "Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua".

Apesar das limitações das imagens, o DVD Phono 73 tem um valor cultural inestimável. Para os saudosista, uma geração que não tem igual. Para as futuras gerações o exemplo de um esforço coletivo em nome da música popular brasileira.
OBS: eu quero!!!!


imagem e texto

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